quarta-feira, julho 20, 2005

A Serra de Sal

A partir do momento em que tem inicio a cristalização do sal, este começa a reconhecer-se na água. A primeira camada a formar-se, a da flor de sal, é semelhante a uma fina camada de gelo. Quando está pronto para a recolha, o sal já está bastante visível nos cristalizadores, formando um manto esbranquiçado na superfície da água. Ao puxar-se o sal para as margens dos talhos podem então observar-se molduras brancas e em seguida pequenas e grandes formações piramidais e cristalinas, pequenos montes de sal agrupado nas margens dos talhos, o qual será depois transportado para a serra de sal.

Serra de sal; [Ludo – RNRF; Algarve]; Fot. de Maria João Soares


A serra de sal é o principal símbolo da paisagem própria das zonas de exploração de sal. Reconhecível à distância, a serra de sal assemelha-se a um grande monte de areia, mais ou menos esbranquiçado, conforme o grau de impurezas que se depositaram na sua superfície. O branco surge, de facto, como o principal ponto de focagem da nossa atenção, chamando a si a luz e, ao mesmo tempo, irradiando-a. Funcionando como um reflector gigante, a serra de sal incita o olhar ao mesmo tempo que o ofusca.

Enquanto a serra de sal é um elemento quase permanente na paisagem das salinas – variando de aspecto consoante o sal vai sendo retirado para comercialização, sendo, contudo, rara a situação em que desaparece completamente – outros elementos, embora de forma sazonal, fazem parte desta paisagem. A safra do sal mobiliza um conjunto de homens, alfaias e máquinas que trazem às salinas a imagem de um “vasto formigueiro branco”
[1] sem o qual as formações de sal não existiriam. Por outro lado, é também uma característica própria destes locais a presença de várias espécies de aves que escolhem o habitat das salinas para nidificarem e se alimentarem.

[1]Carneiro, Caio Porfírio – O sal da terra – Civilização Brasileira, 1965, Rio de Janeiro; p.1.