As imagens da salina

“Há vários milhares de anos caíram aqui as célebres janelas do palácio do Céu. Ficaram intactas as vidraças nos respectivos caixilhos porque as janelas caíram sobre a relva verdinha. Hoje são as salinas.” [1]
Imagem típica de salinas; [Aveiro]; Fot. de Christophe Renault
Os talhos, as comportas, os canais, as serras de sal e os tabuleiros brancos formados pelos cristalizadores são elementos que, no seu conjunto, dão às salinas uma imagem singular. A juntar às técnicas por meio das quais os espaços onde são instaladas salinas são intervencionados, estão as características naturais próprias dos locais onde se desenvolve a salinicultura. Trata-se de uma segunda natureza que é criada pela salinicultura a partir de uma nova organização do espaço com vista ao seu aproveitamento/rentabilização.
O que se destaca na paisagem própria das zonas de exploração de sal em marinhas é a forma como os elementos terra, água, sol e sal são agrupados. Este tabuleiro de sucessivas quadrículas, separadas por estreitos caminhos de terra, e os canais de água de aparência labiríntica que o rodeiam, são referências imagéticas da indústria salineira e aquilo que estrutura a sua paisagem.
[1] Citação de Almada Negreiros, in Circulo de Estudos Das Salinas de Aveiro – Janelas Caídas do Céu – 1997, Aveiro; p.4.
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